Vulnerabilidade
Ser vulnerável não é fraqueza, mas coragem. Neste artigo, compartilho reflexões sobre a importância da vulnerabilidade na jornada do autoconhecimento e das conexões verdadeiras
Vulnerabilidade, uma palavra carregada de medo e possível dores. Mas será que podemos vivê-la e desfrutar de seus benefícios? Se é que eles existem! É o que vamos conversar aqui…
Vulnerabilidade
Vul.ne.ra.bi.li.da.de.
Sempre gosto de usar a definição das palavras como ponto de partida para iniciar um pensamento. Então, vamos conhecer algumas definições:
- Dicionário Michaelis:
- Qualidade ou estado de vulnerável; suscetibilidade a ferimentos, danos ou ofensas. Fragilidade;
- Situação de quem está exposto ou é suscetível a algum perigo, prejuízo ou ataque;
- Dicionário Priberam:
- Fragilidade ou suscetibilidade a sofrer danos físicos, emocionais, sociais ou morais.
- Dicionário Aurélio:
- Propensão a ser atingido ou afetado por algo prejudicial.
Quando decidi expor esse projeto para outras pessoas a palavra que passou em minha mente foi Vulnerabilidade: estar exposta a situações de ameaça, julgamento, talvez zombarias ou mesmo o desprezo.
A vulnerabilidade está conceitualmente associada a ser frágil e correr o risco de sofrer danos. Algo que deveria ser protegido para não ser prejudicado. Algo que necessita de cuidado, atenção e proteção.
Quanto temos algo vulnerável sob nosso controle, nossa atitude de cuidado e proteção envolve o ato de “esconder”, “encobri”, envolver em uma proteção grossa e tirar do caminho de outras pessoas que possam oferecer riscos. Se for objeto, guardamos dentro de um armário ou gaveta pouco movimentado. Se for uma criança frágil, colocamos sob o cuidado de uma ou duas pessoas e em ambientes controlados, privando a criança de ter contato com lugares movimentados que ofereçam riscos.
Mas e quando a nossa vulnerabilidade se refere a uma característica pessoal?
Um projeto que apenas você idealizou, uma habilidade que você desenvolve muito bem ou a decisão de experimentar algo novo. Nesse caso, a vulnerabilidade está na dor de expor algo tão nosso, tão pessoal, aos olhares e julgamento de outras pessoas. Ser vulnerável seria pegar esse projeto recém-nascido e imperfeito e expor ao olhar de pessoas que não o entendem, que não o conhecem, que podem ser duramente críticas, apontar falhas ou que simplesmente desprezarão como algo sem importância.
Por isso nossa decisão é sempre proteger nossos sonhos e habilidades e escondê-los do mundo.
Pense como alguém que está iniciando na prática de piano e seus dedos ainda não se acostumaram com a agilidade e elasticidade necessários para alcançar as teclas certas, e no meio da música, ainda erra as notas.
Sabemos que existem pessoas que não se importam de errar em público, e até levariam na brincadeira. Mas a grande maioria se privaria de tentar uma apresentação para nem mesmo correr o risco de errar!
Uma alternativa que essas pessoas encontram é treinar sozinhos em seus quartos até alcançarem a destreza que desejam, mas esse caminho sempre é cercado de inseguranças, pois o aprendiz nunca se sente pronto para se apresentar. Desanima e desiste pelo caminho ou continuam e se torna um grande talento dentro de seu quarto. Escondido sob o medo e a insegurança.
É aqui que entra em cena a decisão de arriscar… é aqui que a mágica acontece!
Quando decidimos arriscar, algo extraordinário começa a se desenrolar. Sim, o risco pode trazer dor, mas também é o que nos permite crescer, aprender e descobrir que somos mais fortes do que imaginávamos.
Ser vulnerável envolve dor!
Não queremos sentir dor. E não queremos sofrer.
Mas essa dor é necessária!
Imagine o pianista que, mesmo errando as notas, insiste em tocar diante de uma plateia. Ele pode não conquistar aplausos de imediato, mas conquista algo ainda mais valioso: coragem. E com cada apresentação, ele se aproxima do seu melhor.
Ser vulnerável é como abrir as janelas da alma e deixar o mundo ver quem realmente somos. É aceitar que nem todos vão entender, apoiar ou valorizar o que oferecemos. Mas é também dar a chance de encontrar aqueles que vão se conectar profundamente com a nossa essência, que vão admirar o que criamos e que, talvez, até se inspirar em fazer o mesmo.
Por isso, te convido a refletir: o que você está guardando? Que projeto, ideia ou talento está esperando o "momento perfeito"? Será que não está na hora de arriscar, de permitir que o mundo veja, mesmo que de forma imperfeita?
A vulnerabilidade pode ser assustadora, mas também é libertadora! É ela que nos permite viver de verdade, em vez de apenas sonhar.
Então, respire fundo, reúna coragem e dê o primeiro passo. O mundo pode não estar pronto, mas você está. E isso é tudo o que importa!
Kariny Camargo